InovAÇÃO: A disciplina que chegou para ficar

Mais do que uma matéria necessária, a Inovação chegou na agenda das empresas para ficar. Consultor aborda como as empresas devem otimizar essa disciplina.

Se analisarmos a história empresarial, disciplinas como produtividade, qualidade e marketing foram sendo incorporadas no seio das empresas para dar uma resposta às mudanças do ambiente, tornando-as mais competitivas. Hoje elas são requerimentos básicos para qualquer companhia que vislumbre ter um futuro competitivo e bem-sucedido.

A inovação é a nova matéria que deve ser incluída nas empresas. Muito além de uma moda, chegou para ficar. Como o resto das cadeiras dos cursos de graduação, a inovação tem evoluído com o tempo até alcançar um nível de maturidade tal que sua inclusão na empresa é tão certa quanto necessária.

Hoje podemos afirmar que as melhores práticas de inovação permitem gerar receitas rentáveis, de forma sustentável, e que as empresas que a incluíram de maneira eficaz têm resultados notórios no mercado. A inovação também deve ser estudada e debatida, e é uma matéria indispensável em qualquer MBA.

Se voltarmos no tempo, a inovação evoluiu rapidamente nos últimos 50 anos. Primeiramente, acreditava-se que a inovação podia ser realizada por poucos escolhidos, inspirados ou artistas. Atualmente, sabe-se que qualquer um pode inovar, deve-se apenas aplicar as condições e técnicas adequadas para liberar todo o potencial das pessoas envolvidas.

Outros mitos e enganos sobre os processos de inovação foram sendo desmistificados com o tempo. Achava-se que a inovação tinha que ser feita em lugares distantes e com informações sigilosas. Hoje é de conhecimento que, conectando-se diferentes atores no processo, são obtidas mais ideias e melhores resultados com menor investimento e risco.

Além disso, a definição de inovação sofreu alterações e mutações com o passar dos anos, sobretudo com o desenvolvimento dos processos. Pensava-se que inovar era lançar novos produtos e serviços, mas hoje é notório que se deve inovar em um sentido amplo, como declara o Manual de Oslo em sua definição de inovação: recomenda-se inovar também os modelos de negócio, processos e o modo como as empresas organizam e fazem a gestão de seus recursos humanos.

Os tipos de inovação também foram se modificando ao longo do tempo. Atualmente, a implantação de uma cultura diferenciada na empresa, independentemente da área de atuação, é considerada uma inovação. A descoberta de novas aplicações para conceitos e práticas já são utilizadas também.

A partir de estudos e definições de especialistas, chegou-se a alguns objetos focais da inovação. Eles poderiam, e até deveriam, ser trabalhados como matérias em institutos e universidades. A inovação de produto, um dos casos, consiste em modificações nos atributos do produto, com mudança na forma como ele é percebido pelos consumidores. Um exemplo são os automóveis com câmbio automático, em comparação aos "convencionais".

Outro tipo é a inovação de processos, que trata de mudanças na forma de produção de bens ou serviços. Não gera necessariamente impacto no produto final, mas cria benefícios na linha de criação, geralmente com aumento de produtividade e redução de custos. Um exemplo é a comparação entre um automóvel produzido por robôs e outro, por operários humanos.

Último tipo nesta lista, a inovação do modelo de negócio considera mudanças na forma como o produto ou serviço é oferecido ao mercado. Não implica necessariamente alterações no produto ou mesmo no processo pelo qual ele é produzido, mas sim na forma como ele é levado ao mercado. Novamente o exemplo é o automóvel que, desta vez, é alugado ao consumidor, que passa a pagar uma mensalidade pelo uso do veículo, com direito a seguro, manutenção e troca pelo modelo mais novo a cada ano, em comparação ao modelo de negócio tradicional, focado na venda do veículo.

Com todas essas mudanças, chegamos a um patamar de conhecimento e aplicação das inovações que permite às empresas criar comitês e áreas para centralizar as descobertas. Em muitos dos casos, os melhores exemplos são as inovações cruzadas, que promovem interação entre diversos setores, em busca de melhora significativa. A utilização de descobertas em uma área pode trazer avanços importantes em assuntos que, teoricamente, não apresentam nenhuma interligação.

Uma das formas mais recentes da matéria é tornar a inovação aberta. E, com o advento das redes sociais, as empresas, especialmente pequenas e médias, estão se valendo diretamente das opiniões e ideias dos consumidores e entusiastas, para criar novos produtos e serviços, e melhorar o nível do que apresentam a esses mesmos públicos.

Outra vantagem do processo de inovação é o fato de que ele pode unir matérias e assuntos totalmente diferentes, gerando benefícios para empresas, produtos e pessoas, ao mesmo tempo. Considerando que sua capacidade de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo se torna essencial para a sustentabilidade das empresas e dos países no futuro.

Exatamente por esse motivo, reconhecidos líderes empresariais do País já tomaram a iniciativa e estão incluindo em suas companhias as mudanças necessárias para que a inovação seja parte do DNA empresarial, para obter resultados tangíveis dos quais todos poderão usufruir em pouco tempo.Rafael Garrid (Sócio da everis, consultoria multinacional que oferece soluções de negócio globais e tecnologia da informação) - HSM Online 02/06/2010

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