Por que as empresas brasileiras não encontram os profissionais que procuram?



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Uma entrevista realizado por Patrícia Bispo para o RH.com.br com o  Jerônimo Mendes - consultor e palestrante nas áreas de negócios, empreendedorismo, mudança organizacional, comportamento e mundo corporativo.


Patrícia Bispo

Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.
Todos os dias, os canais de comunicação veiculam notícias sobre o mercado de trabalho. Nesse contexto, apresentam-se os dois lados da moeda. No primeiro, encontram-se os trabalhadores que formam filas quilométricas em busca de chance para mostrarem seus valores e garantirem uma vida digna. Do outro, estão as empresas que afirmam enfrentar um sério problema: não encontram profissionais para preencherem as vagas que disponibilizam. Essa situação torna-se conflitante, pois as organizações precisam de profissionais e esses não consegue o tão sonhado emprego. Alguns denominam esse quadro como "apagão de talentos", enquanto que outros preferem referir-se a essa situação como falta de mão de obra especializada para atender às necessidades das organizações. Para falar sobre esse assunto, o RH.com.br entrevistou Jerônimo Mendes consultor e palestrante nas áreas de negócios, empreendedorismo, mudança organizacional, comportamento e mundo corporativo. Para ele, quando a economia está aquecida, o mercado melhora de maneira generalizada e a demanda por mão de obra especializada aumenta. Quem está mais preparado possui mais oportunidades e a lei continua a mesma: a escassez encarece o "produto". "Existem 3,5 milhões de jovens desempregados no Brasil, segundo dados do último censo do IBGE. Das duas uma: ou os jovens não querem trabalhar ou os programas de retenção e qualificação profissional estão equivocados", alerta Jerônimo Mendes. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!

RH.com.br - A expressão "apagão de talentos" tornou-se tão constante no meio organizacional que, quando surge em determinadas conversas, algumas pessoas preferem mudar de assunto. Isso significa que a preocupação com a falta da mão de obra qualificada perde sua força e deixa de ser uma preocupação para as empresas?

Jerônimo Mendes - Particularmente, não gosto da expressão "apagão de talentos". Prefiro escassez de mão de obra qualificada. Talento todo ser humano dispõe de um, portanto, não deveria faltar. O que acontece é que o mercado está aquecido e isso provoca uma competição mais acirrada por talentos. Em períodos econômicos mais favoráveis, o mercado melhora de maneira generalizada e a demanda por mão de obra especializada aumenta. Quem está mais preparado, naturalmente, tem mais oportunidades e, é óbvio, a lei continua a mesma: a escassez encarece o "produto". Quem tem qualificação procura uma nova oportunidade de melhoria e quem precisa dela, paga melhor. É simples assim.

RH - Pessoalmente, o senhor acredita que existe um apagão de talentos no Brasil ou as empresas não estão sabendo atrair os profissionais que tanto necessitam?

Jerônimo Mendes - Procuro sempre olhar sob dois pontos de vista diferentes: o primeiro é o da competição natural em função da economia aquecida; o segundo é o fato de que as empresas não se preparam para isso. Em geral, elas trabalham no limite. Quando acontece algo inesperado, as empresas não conseguem repor a mão de obra na mesma velocidade. Leva tempo para se qualificar um profissional. Além do mais, poucas empresas trabalham com o conceito puro de RH para o desenvolvimento da mão de obra. Existem 3,5 milhões de jovens desempregados no Brasil, segundo dados do último censo do IBGE. Das duas uma: ou os jovens não querem trabalhar ou os programas de retenção e qualificação profissional estão equivocados.

RH - Investir no treinamento interno não seria uma alternativa de driblar essa falta de profissionais qualificados?

Jerônimo Mendes - O treinamento ajuda, porém, em tempos de economia aquecida torna-se mais difícil retirar os profissionais da linha de frente para qualificá-los, por isso, o treinamento demanda planejamento. Quando o RH é atuante e a empresa prioriza a qualificação interna, o treinamento pode promover excelentes resultados. Entretanto, devemos lembrar que o ser humano é ambicioso e a lealdade já não é mais um atributo a ser considerado na retenção de talentos. É necessário muito mais do que salário para segurar alguém na empresa.

RH - Em relação aos novos talentos que ingressam no mercado, outra alternativa para as empresas seria ter um pouco mais de paciência com esse público e acreditar mais no potencial dos jovens que não possuem experiência?

Jerônimo Mendes - Infelizmente, as empresas não podem esperar, esse é um problema sério. O ideal seria acreditar no público minimamente qualificado e investir um pouco mais nele. Em empresas de médio e grande porte isso é feito através de programas de trainee, banco de talentos, por exemplo. Empresas de micro e pequeno porte já não podem contar com essa facilidade considerando que o investimento impacta diretamente no custo do produto ou serviço. Contudo, é uma posição que muitas empresas já estão adotando.

RH - Quais os efeitos que o apagão de talentos traz para as organizações e, consequentemente, para a economia nacional?

Jerônimo Mendes - Todos perdem. Os profissionais perdem a oportunidade de se recolocar e progredir; as empresas, de produzir e lucrar mais; os governos, de arrecadar mais.

RH - Esse quadro de falta de mão de obra qualificada ainda vai durar por muito tempo?

Jerônimo Mendes - Esse fenômeno é cíclico, ocorre de tempos em tempos. Note que em alguns períodos, quando o mercado está aquecido, falta mão de obra qualificada. Em outros tempos, existe excesso de mão de obra qualificada e não é possível absorver todo o efetivo. Temos a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016 e isso vai gerar ainda mais escassez. Além do mais, o Brasil é um dos poucos países do mundo com chances promissoras de crescimento, portanto, não existe sinal de que a competição diminua. O inverso é verdadeiro, portanto, quanto mais cedo as empresas se preocuparem com isso, melhor.

RH - Quando se fala em contratação de talentos, automaticamente nos reportamos à atuação do profissional de Recursos Humanos. Essa é a "hora e a vez do RH" fincar suas raízes como integrante das estratégias organizacionais?

Jerônimo Mendes - Para suprir essa deficiência, as empresas precisam de um RH mais atuante e menos operacional. É o que se chama de RH estratégico. Empresas que não priorizam a qualificação da mão de obra interna e o desenvolvimento da mão de obra futura não podem reclamar. Apesar de toda a tecnologia disponível, o recurso mais importante continua sendo o ser humano. Quando se trata do operacional, mais voltado para a produção, concordo que o problema é generalizado, entretanto, em cargos e funções intermediárias e também em nível de liderança, é possível desenvolver um bom trabalho interno para evitar a escassez. Na prática, as empresas reclamam da escassez, mas não fazem nada para mudar a realidade em que se encontram.

RH - Por que a atuação da área de RH fará o diferencial, num momento em que a escassez de talentos evidencia-se de uma forma tão expressiva?

Jerônimo Mendes - Em entrevista anterior ao RH.com.br, eu afirmei que sou um defensor incondicional da área de Recursos Humanos. Eu prefiro RH em vez de DP que é sempre pejorativo. Na minha modesta opinião, o RH nunca perdeu a sua importância estratégia. O que acontece é que em algumas empresas, o RH tem mais importância e em outras, menos. Em momentos de escassez é que se nota a diferença entre ser um RH ou um DP. Quando se eleva a importância do RH, as coisas fluem naturalmente, principalmente quando você tem um líder efetivo na área, entretanto, não basta mudar a sigla da área, é preciso conceder autoridade e responsabilidade para que as coisas aconteçam de fato.

RH - O que o senhor sugere para o gestor de RH melhorar essa situação dentro da empresa?

Jerônimo Mendes - Encare o problema de frente e pare de carregar a empresa nas costas. Prepare um plano de ação específico para apresentar à diretoria e o coloque em prática. Nenhum problema se resolve sem ações concretas, de acordo com o tratamento que o problema merece.

RH - Qual a mensagem que o senhor deixa para os profissionais de RH que têm a oportunidade de consolidar a contribuição da área para o mundo dos negócios?

Jerônimo Mendes - Quanto mais operacional você for, menos estratégico você será. Pensar com cabeça de RH significa ir além da burocracia. Em tempos de competição acirrada por mão de obra específica e qualificada, o RH é vital para as organizações. Planejar o futuro ainda continua sendo a melhor forma de evitar a escassez de mão de obra qualificada. Aliás, há um provérbio chinês que também vale para o RH: "quem não sabe para onde vai, qualquer lugar serve", portanto pense nisso e aja diferente.

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